topo_banner_3Slide thumbnail

Corrida pela aposentadoria e Bezerra da Silva

Compartilhe com amigos

Por Bacelar, para o Mais Região

A reforma previdenciária que tramita no Congresso Nacional é uma das mais temíveis ameaças para o trabalhador brasileiro dos últimos tempos. Por diversas vezes, o país se uniu para sacudir a poeira e reescrever uma nova história. Enfrentou a submissão do período colonial, perseguição da ditadura, inflações históricas, confisco da poupança e tantas fases sofríveis. Agora, como se não bastassem os 14 milhões de desempregados – sem citar os subempregados, dezenas de milhões de brasileiros correm risco de ficar sem aposentadoria, direito constitucional e um dos maiores programas de distribuição de renda que se tem notícia.

A grande mídia cita especialistas pra dizer que o risco disso acontecer é mínimo. Como assim, se muitos vão envelhecer nos postos de trabalho, uma vez que o tempo de contribuição vai aumentar? Quem garante que o trabalhador vai resistir com boa saúde à espera de um direito que vai demorar (e muito) a chegar?

Os professores, regidos por regimes de previdência diversos e que já colecionam muitas dúvidas com a tramitação da famigerada reforma estão angustiados. Em todo Brasil, estourou o número de docentes em busca da aposentadoria. Muitos deles que já atingiram a idade mínima exigida pela atual forma de concessão, continuavam trabalhando, mas agora saíram em disparada e lotaram as secretarias de educação com pedidos de aposentadoria. Apenas na Bahia, são 4 mil professores que deram entrada para conseguir o benefício nos últimos 12 meses. Não é difícil imaginar a causa.

E o efeito alguém sabe? Muitas disciplinas ficarão sem professor específico e os concursos não são programados com a velocidade que se imagina para suprir a alta demanda. Para tentar aliviar o impacto e não prejudicar o ensino, o governo da Bahia ofereceu uma bonificação para o professor que decidisse retardar o pedido, através de uma bolsa permanência. Mas, poucos atenderam o chamado, como acontece no país inteiro.

A ameaça persiste. Os professores que hoje se aposentam aos 25 anos de serviço, teriam que contribuir mais 15 anos para conseguir o benefício integral. E mesmo que haja novo presidente da República, os congressistas que tocam a Reforma já avisaram que o projeto vai, sim, ser votado.

Muitos professores se perguntam o que fazer. Dezenas de milhões de brasileiros incrédulos acompanham uma novela onde os maus permanecem imbatíveis. E enquanto isso, termino citando o inesquecível e atualíssimo Bezerra da Silva:

Socorro,
Está pedindo o pobre aposentado
Pra receber o seu trocado
Ele tem que brigar com os homens da Lei
Se é isso que eles chamam de um grande Brasil novo
O que será do meu povo
Meu Deus, na verdade, juro que não sei

Compartilhe com amigos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *