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Dia Nacional da Alfabetização: temos o que comemorar?

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Por Bacelar, para o Mais Região

Nem todos os alunos se alfabetizam na mesma velocidade e essa falha vai influenciar índices de evasão lá na frente. Os professores do ensino fundamental não são alfabetizadores e nossos jovens precisam aprender a ler, interpretar, escrever e fazer contas na idade certa. Se deixarmos passar, como tem acontecido, não vamos conseguir ver melhorias nas outras etapas de aprendizagem. E como resultado teremos o analfabetismo funcional, que acontece quando a criança sabe ler e escrever, mas não consegue interpretar, entender o que é proposto no texto.

Alfabetizar todas as crianças até o terceiro ano do ensino fundamental tem sido um desafio e tanto para a educação básica.  Estabelecida na meta 5 do Plano Nacional de Educação, a formação de nossas crianças deixa muito a desejar. Os dados da Avaliação Nacional de Aprendizagem, divulgado pelo Ministério da Educação este mês, comprovam isto que estou falando. Mostram que nossos alunos avançaram pouco, ou quase nada, em escrita, leitura e matemática entre 2014 e 2016. Só para se ter uma ideia, o nível de proficiência considerado satisfatório, nessas disciplinas,  passou de 43,83% para 45,27%. Isso nos coloca em uma realidade muito distante da ideal e mostra como estamos estagnados quando o assunto é educação básica. E se esse cenário não mudar, serão necessários 76 anos para equiparar o nível de leitura de todos os alunos. É muito tempo!

Hoje, não é mais suficiente ter um nível mínimo de alfabetização. Sabe por quê? Porque esse “novo analfabetismo” coloca nossos jovens em situações vulneráveis. Eles não são capazes, por exemplo, de compreender seus próprios direitos e deveres como cidadãos e nem de formar suas próprias opiniões e visões de mundo. Ainda mais em um mundo em que populismos se constroem através do manuseio de corações e mentes dos que não aprenderam – ou não puderam – aprender. Não quero aqui dizer que a culpa é dos professores. Jamais. Muito pelo contrário, a meu ver os docentes são tão vítimas quanto nossos jovens que ficam à mercê de uma educação pública sucateada, abandonada, esquecida pelo governo.

Sabemos que As tentativas de acabar com analfabetismo no Brasil foram inúmeras, mas quase todas elas fracassaram. O Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), lançado há cinco anos, nao rendeu resultados satisfatórios e será substituído pelo Política Nacional de Alfabetização. Na prática, o projeto amplia o corpo docente da rede pública e contrata 200 mil auxiliares para ajudar os professores dentro de sala de aula. É mais uma tentativa do governo federal que também está fadada ao insucesso.

De que adianta uma nova política se ela repete as velhas? De que adianta contratar auxiliares se não existe uma estratégia que ajude o professor efetivamente? Se as salas de aula continuam lotadas? Como alfabetizar 30 crianças ao mesmo tempo? Sem infraestrutura? Sem valorização? Sem as mínimas condições de trabalho? Vamos ser sinceros. É uma ideia fantasiosa. É por isso que neste dia Nacional da Alfabetização, comemorado em 14 de novembro, quero propor um desafio: o que você, como cidadão, pode fazer para melhorar esse cenário desastroso? Vamos às ruas, vamos lutar porque enquanto a educação não for prioridade, continuaremos a lamentar nossos índices educacionais.

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