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Ensino Médio e Profissionalizante X Violência

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Por João Carlos Bacelar 

Para combater o aumento descontrolado da delinquência juvenil pode-se apostar na educação como arma pesada. Se municiada desde a base ganha força no ensino médio para derrubar os números de violência envolvendo menores que assombram o Brasil. Em Salvador, nos últimos 40 dias, cinco crianças foram vítimas da cruel realidade durante troca de tiros entre facções rivais. Todas comandadas por jovens.

Na semana passada quatro crianças pequenas foram usadas como escudo humano por dois rapazes envolvidos com o tráfico no bairro do Beiru. Um deles é menor e o outro de 22 anos é considerado chefe de boca de fumo e apontado pela polícia de participação ativa em mais de 20 homicídios na capital baiana. Ou seja, vivenciamos momento aterrorizador quando tem sido abruptamente arrancado dos jovens o melhor período de suas vidas e lhes adicionado um destino desprovido de perspectivas.

O governo do estado diz que que tem implantado dentro das bases de segurança alguns centros de prevenção contra o uso de drogas além de núcleos profissionalizantes. Mas ainda não se tem resultados. O trabalho tem que ser mais amplo, envolver todas as instâncias de poder e começar ontem. Estamos muito atrasados nessa matéria que pode nos levar em pouco tempo, se mantido os números, ao caos social.

O tráfico de drogas que tem aliciado meninos e meninas ganha força e dribla a estratégia cada vez mais vulnerável das autoridades. Beiramos o descontrole e somos reféns do medo.

A arma que citamos, desde sempre, é a educação. A ideia é injetar recursos e esforços no ensino médio que aliado ao estudo técnico profissionalizante pode modificar o panorama que se tem hoje em todos os estados brasileiros.

Para o Unicef o ensino médio é o maior desafio da educação brasileira na atualidade. O relatório do órgão registra o extenso currículo com 13 disciplinas além de cinco complementares como fator desestimulante para os jovens e recomenda que o Brasil adote iniciativas motivadoras como ensino técnico integrado e jornada ampliada para manter mais tempo os jovens na escola e com maior número de vagas.

Hoje metade dos jovens brasileiros entre 15 e 17 anos não está matriculada no ensino médio e a evasão escolar saltou de 7,2 para 16,2% em 12 anos nessa faixa etária. Os dados reforçam que o surgimento do senso de urgência para adoção de atitudes direcionadas a reverter esse quadro tem que se sobrepor a tudo.

Sem formação adequada os jovens viram alvo fácil do mundo do crime. Segundo uma pesquisa da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) a possibilidade de desemprego é três vezes maior para o jovem do que para o adulto. Cabe também ao governo prestar atenção à essa estatística. Esforços adicionais precisam ser feitos com a rapidez necessária para salvar uma geração condenada a riscos cada vez mais intensos.

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