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Jovens Negros

O ano de 2013 marcou os 20 anos de dois tristes episódios da história recente: as chacinas de Vigário Geral e da Candelária. O que elas tiveram em comum? Em rompantes de violência extrajudicial, policiais militares mataram inocentes, muitos deles jovens. Ambas são expoentes trágicos de um problema cotidiano.

Em 6 de fevereiro de 2015, policiais militares das Rondas Especiais da Bahia (Rondesp) cercaram 18 jovens negros na Vila Moisés, bairro do Cabula, em Salvador (BA), e os fizeram correr para um campo de futebol. Lá, escondidos entre a mata, outros PMs, que segundo denúncia do Ministério Público desligaram o GPS da viatura para evitar o registro de localização, aguardavam os meninos. Encurralados pelos militares, pelo menos 12 deles foram executados sumariamente. Seis conseguiram escapar, fingindo-se de mortos. Naquela madrugada, os militares dispararam 500 tiros, quase 100 deles atingiram os corpos negros, conforme informações dos laudos.

Estes são apenas três, dos inúmeros casos de homicídios, envolvendo jovens negros, moradores das periferias de áreas metropolitanas, os mais atingidos pelo país. Dados divulgados pelo Mapa da Violência 2014, mostram que todo ano, 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados. São 63 por dia. Um a cada 23 minutos.

Mais preocupante ainda é a tendência que se anuncia: uma progressiva queda no número de homicídios de jovens brancos, acompanhada do aumento das mortes de jovens negros. A taxa de homicídios entre jovens negros é quase quatro vezes a verificada entre os brancos (36,9 a cada 100 mil habitantes, contra 9,6). Além disso, o fato de ser homem multiplica o risco de ser vítima de homicídio em quase 12 vezes.

Um levantamento feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) revelou que, em cinco anos, no Brasil ocorreram mais mortes do que em 12 regiões do mundo, como, Síria, Afeganistão, Faixa de Gaza, entre outros.

A guerra contra esses índices ganhou um forte aliado. Defensor da vida e da igualdade racial, Bacelar tem se destacado no combate à morte de jovens negros. Dentro da Câmara, foi eleito o 1º vice-presidente da comissão especial que estabelece o Plano Nacional de enfrentamento a morte de jovens negros no país e membro da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga casos de violência contra jovens negros e pobres.