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Mães & escolas comunitárias

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Escola-Alemao-size-598A partir da força agregadora das mães, as escolas comunitárias surgiram inicialmente no Brasil há mais de sete décadas através da conjugação de associações e grupos. Igrejas, Casa de Estudantes, Amigos do Bairro e outras entidades se reuniram com a intenção de realizar o que o estado não havia programado para atendê-los em necessidades diárias e básicas como é a Educação.

As mães passaram a trabalhar fora e não podiam – ou não sabiam – orientar exercícios dos filhos cada vez mais interessados em responder com presteza as lições de casa. O reforço escolar então ganhou corpo se tornando indispensável à rotina de inúmeras famílias. Afinal, os filhos avançavam na escola superando os pais em tempo de frequência escolar.

Esses núcleos, a princípio, funcionavam apenas como reforço no contraturno das aulas; espécie de ‘banca’ para que os estudantes eliminassem dúvidas, completassem os exercícios e até descobrissem meios diferentes de realizar um cálculo, por exemplo.

Mas a necessidade falou mais alto. Era preciso encontrar soluções práticas e rápidas também para absorver crianças e jovens não matriculados na rede escolar. Como a rotina sempre envolveu a comunidade a atração desses novos alunos foi acontecendo naturalmente.

Participei do processo de idealização das escolas comunitárias na Bahia, quando dirigia a extinta Fundação Educar (Fundação Nacional para Educação de Jovens e Adultos) na década de 80, quando a ideia começou a pegar por aqui. Foi então que começou a luta pelo reconhecimento legal dessas escolas como experiências pedagógicas.

Durante esse tempo, as escolas comunitárias se multiplicaram através dos movimentos populares se transformando em cases de sucesso. Em Salvador, são vários os exemplos. A Escola Aberta do Calabar , a Escola do Arraial do Retiro e a Escola Comunitária do Bate Facho fizeram história. E sempre ao lado dessas entidades estava o CECUP (Centro de Educação e Cultura Popular).

Atualmente a Escola Comunitária do Bate-Facho atende 150 crianças carentes de 2 a 10 anos e tem contribuído para a formação dos pequenos moradores. Hoje a segunda geração faz reforço e tem aulas na unidade que conta com o apoio de quem acredita no trabalho realizado há mais de duas décadas. Aproveitamos para homenagear nesse domingo das Mães D. Cremilda da Anunciação, uma veterana na batalha para manter a escola em funcionamento através de convênios.

Idealizadora da unidade comunitária, conta-nos com alegria que seis filhos e três netos tiveram reforço e ganharam gosto pelo estudo na escola que ajudou a criar. A recompensa de D. Cremilda e tantas outras mães é testemunhar o desenvolvimento escolar da prole que ganha novas perspectivas e vontade reforçada de vencer os obstáculos impostos pela vida. Esse é outro exemplo de que a união popular ganha paradas nem sempre fáceis. Afinal, quem pode mais que a força que emana do povo?

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