topo_banner_3Slide thumbnail

Não à indicação política dos gestores escolares

Compartilhe com amigos

Por Bacelar, para o Mais Região

Prefeitos, administradores e secretários de educação que, em atitude contumaz, elaboram a sete chaves uma lista para nomear dirigentes escolares estão desrespeitando um dos pontos cruciais do Compromisso Todos pela Educação, referenciado como importante movimento apartidário e de engajamento da sociedade para um ensino público de qualidade. E não só isso, pisoteiam a prática democrática e vulnerabilizam toda a comunidade escolar com a imposição de nomes.

A vocação e o talento dos gestores de escolas podem ser avaliados através de diversos aspectos, desde o bom funcionamento da unidade que coordenam, com salas arejadas, laboratórios equipados, merenda em dia, oficinas lúdicas e adequado desempenho de aprendizado, passando pela harmonia entre os professores, até o diálogo com a comunidade, que envolve pais de alunos, funcionários e os próprios estudantes.

São os dirigentes escolares os responsáveis em identificar as principais necessidades da comunidade e as especificidades de cada uma delas, para fazer a unidade atuar de forma integral.

Defendemos, desde sempre, a eleição direta para diretores e vice-diretores porque são eles que vivenciam o cotidiano e podem elaborar, em conjunto, projetos sustentáveis de envolvimento com o entorno da unidade. Não vale pensarmos em aumentar os muros da escola, por exemplo, para escapar de determinados problemas locais. O que legitima a escola é estreitar os laços com a comunidade, é abrir o debate e encontrar soluções sincronizadas.

Pois é nessa dinâmica que se desenvolve uma gestão democrática – e ideal -, no entanto, quando os gestores saltam de listas elaboradas para favorecer os apadrinhados políticos, o cenário pode ser bem diferente.

O que passa a valer não é a sensibilidade às demandas da coletividade mas, sim, a proximidade com o político que o indicou para o cargo. Sabemos da existência dos cargos de confiança, porém, nesse caso, os diretores deveriam ser cargos da confiança sabe de quem? Da comunidade.

Agora, no final do primeiro trimestre do ano letivo, a prefeitura de Camaçari destitui 87 diretores e vice-diretores e divulga uma explicação que nada explica. Resultado: instabilidade entre a comunidade escolar. Temos receio de que os indicados não saibam costurar os laços com os atores do processo escolar. Não seria demérito deles, apenas, a falta de convívio com a realidade local.

E por que não acabar com essa prática e deixar a própria comunidade escolar decidir quem serão seus representantes para gerir o destino da unidade que tem a missão de servir como porto seguro para os sonhos de muitos jovens e a esperança de tantas famílias?

Compartilhe com amigos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *