por João Carlos Bacelar

Público perto do zero. O estádio era Pituaçu, nossa segunda casa, que se mostrou vazia, quase silenciosa e sem brilho para emoldurar a partida entre Bahia e Coritiba. O placar terminou zerado também. O tricolor revelou uma melhor dinâmica sob a batuta de Cristóvão mas ainda é uma equipe triste, sem estabilidade técnica e emocional. Imagine aí: Marquinhos esteve duas vezes de cara com o goleiro e não marcou. Mas, como podemos culpar o rapaz que tem se dedicado nos treinamentos ? Que equilíbrio emocional pode ter nossa equipe com tanta coisa acontecendo?

Um sem número de protestos, manifestações de indignados torcedores exigindo apenas que se cumpra o direito inalienável de quem ama – segue e paga(va) pra ver- um clube de futebol. A mobilização é exatamente para que reine a democracia com discussão de pontos nevrálgicos do clube para que possamos atingir um consenso nas decisões. Mas não. O que continua reinando é a insistência de que a voz a ser ouvida é apenas a que vem da diretoria…

E como fica o coro que vem das ruas, visceral, autêntico, próprio de quem não se conforma com o que foi transformado o seu time do coração? Não pode ser abafado por mais tempo. Se a voz do povo é a voz de Deus, como parar uma nação que traz no DNA as cores azul, vermelho e branco?

Pituaçu ontem esteve às moscas e apenas os inveterados aguentaram o pique de ver o Bahia jogar sem a tranquilidade necessária e sem o ritmo crescente que nos habituamos a admirar. Se achamos que o resultado foi ruim, no domingo ainda vamos enfrentar o Inter fora de casa, como lembrou Ricardo Chaves.

O tricolor já fez parte do Clube dos 13 melhores do futebol brasileiro, já teve o artilheiro do Brasileirão (lembram de Charles?), revelou craques, eternizou na história grandes nomes como Uéslei, Beijoca, Baiaco, Léo Oliveira, Paulo Rodrigues, Gilson Gênio…

Já enchemos o estádio quando o Bahia amargou a série C mas era diferente, o clima era outro. Só quem frequenta a Fonte Nova, quem acompanha de verdade, sabe do que estamos falando.  Hoje, parece que tratamos de outra torcida, de outro time, de um amor abalado apesar da imensidão. Mas não pensamos em deixar que nosso sentimento seja devastado.

Ontem, no final da tarde, estava despachando com o prefeito ACM Neto que indagou seu eu ia a Pituaçu. Pesaroso, respondi que não. “Tô com o coração apertado”, confessei. Disse que aderi ao Movimento Público Zero e tenho convencido meus amigos que também sofrem como eu de não acompanhar presencialmente o Bahia.

Só volto ao estádio quando pararmos para conversar em busca de melhores dias. Queremos que a torcida seja ouvida, e que o orgulho de torcer pelo Bahêa seja resgatado, em prol de ostentar a camisa tricolor como um troféu, em fazer tremular nossa bandeira com o peito tomado pela emoção e pela alegria. Sem isso, como posso acreditar que amam o Bahia? Quem ama, cuida, não mata e nem deixa morrer…

Até mesmo para reforçar o time a diretoria tem enfrentado dificuldades absurdas e incomuns até aqui. Antes, muitos jogadores, técnicos e  outros profissionais que integram o elenco de um time se orgulhavam em ser requisitados pelo Bahia. Agora, basta sondarmos alguém e rapidamente o convite é rejeitado. E quem aceita logo volta atrás. Estamos no descrédito para contratar. Muitos que passaram pelo time detonaram o tratamento recebido, saíram no prejuízo financeiro e contaminam o mercado com depoimentos verídicos. Quem vai querer jogar no Bahia em plena crise? Onde está o caminho?

Pois é. O fio da meada está escondido onde citamos antes: no diálogo e na urgência em resolver problemas que podem transformar o destino de uma nação adormecida com uma injeção de desânimo aplicada em doses homeopáticas ao longo de anos mas absorvida depois de muita resistência. Queremos muito? Não, apenas despertar nosso gigante e reacender nossa paixão ….

Bora Bahêêêêaaaaa. Nos deixem gritar……..

Fonte: Portal bahiacomorgulho.com

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