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Familiares de jovens negros assassinados na Bahia estiveram presentes, nesta terça-feira (28), na audiência pública promovida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as mortes nesse segmento social. Estavam presentes, o coordenador do movimento “Reaja ou será morto- Reaja ou será morta’, Hamilton Borges, e o professor do Departamento de Ciências Humanas e Tecnológicas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Fábio Nogueira.

Fábio Nogueira apresentou uma contextualização do quadro de violência que atinge jovens. Segundo ele, “é necessário que o governo repense o modelo de segurança pública da Bahia. Precisamos garantir o bem estar da sociedade e reduzir os índices de homicídios de jovens negros e pobres. A CPI já é uma vitória, mas precisamos discutir a formação dos policiais, a apuração e investigação das mortes.” afirmou.

Emocionados, os familiares das vítimas da chacina do Cabula, em Salvador, contaram suas histórias e cobraram do Congresso Nacional políticas públicas para reduzir o genocídio de jovens baianos. A mãe de um rapaz, assassinado em 2012, relatou que seu filho foi morto na porta de casa. quando voltava do trabalho. “Há três anos luto, não só por mim, mas por todas as mães que perderam seus filhos. Dizem que a criminalidade aumentou por causa do tráfico, mas meu filho não era traficante, era trabalhador. Ele ia chegando do trabalho, na porta de casa, quando a polícia atirou. A PM mandou ele virar de costas para cometer o assassinato. Ele não teve chance de defesa.  Atiraram no meu filho sem nem saber quem era. Esta não é a polícia que queremos. Precisamos de uma polícia que proteja e não saia matando por aí “, desabafou.

Hamilton Borges, do Movimento Reaja, repudiou os dispositivos criados para estabelecer uma “distinção de quem deve ser abatido” com “etiquetamento” de “pessoas pretas, jovens, homens, que moram em locais em que o Estado nunca chegou”. “O baralho da bandidagem e a cartilha da tatuagem são exemplos. É lombrosiano” afirmou.  O ativista afirmou pediu ainda que a CPI se dedique a segurança pública do estado da Bahia. “O que vivemos hoje é genocídio. Não podemos ter uma polícia que mata pessoas como se fossem insetos” completou.

Segundo o líder do PTN na Câmara, deputado Bacelar (BA), todos os depoimentos, palestras e dados revelados nas audiências públicas realizadas pela CPI, principalmente os últimos acontecimentos da Bahia, reforçam o entendimento que há filtragem racial na seleção policial de suspeitos. “Essa filtragem racial se dá nos autos de resistência. Eu nunca vi a imprensa noticiar auto de resistência de um jovem branco. Será que os negros são mais corajosos? Mais valentes? Não quero que jovens brancos sejam assassinados. Aliás, ninguém, mas é um fato que jovens brancos não são vítimas de auto de resistência. Não podemos ter essa filtragem”, cobrou.

Bacelar ressaltou ainda a importância da troca de experiências entre sociedade civil, estudiosos e ativistas. “Esta foi uma das audiências públicas mais ricas, realizadas até hoje. Podemos juntar os discursos de estudiosos, ativistas e de quem sentiu na pele os reflexos do genocídio. Espero a orientação de vocês para saber como nos comportar e conduzir esta CPI”, finalizou.

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