“Infelizmente, em pleno século 21, o racismo ainda é uma dura realidade de quem é negro, pobre e mora na periferia” lamentou o deputado Bacelar (Podemos/BA). O parlamentar se refere aos dados da pesquisa feita Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) que mostrou que 99% dos presos em flagrante em Salvador, no período de quatro anos, são negros e pobres. O levantamento foi realizado em uma base de dados com mais de 17 mil pessoas presas em flagrante e submetidas a audiências de custódia.
Em entrevista, o defensor público Rafson Saraiva Ximenes confessou que, apesar de esperado, o resultado é surpreendente. “A gente já imaginava e era fácil deduzir que a maior parte das pessoas submetidas a audiências de custódia eram negros e pobres. Mas o percentual foi muito alto” disparou.
“E não era para menos uma vez que fica cabalmente exposta uma realidade extremamente cruel, e que, infelizmente, pelo que se ouve no Brasil, hoje, só tende a piorar” completou Bacelar.
O levantamento mostrou ainda que quase 99% das pessoas presas em flagrante tem renda de até dois salários mínimos. “Ninguém que recebe acima de 10 salários mínimos foi presa em Salvador em flagrante em 2017 e 2018, no ano inteiro. Isso foi um recorde muito forte” avaliou Ximenes.
Na avaliação de Bacelar, o racismo estrutural existe e são evidentes. “ A pesquisa mostrou que a maioria dos negros continua presa depois da audiência de custódia. A violência no momento da prisão também é muito maior entre os negros” lamentou.

Atlas da Violência


O líder do Podemos na Bahia também chamou a atenção para o genocídio da juventude negra. Segundo o Atlas da Violência de 2017, de cada quatro pessoas assassinadas no Brasil, três eram negras.
A taxa de homicídios para esse grupo da população chegou a 43,1 para 100 mil habitantes, enquanto a dos não negros fechou o ano em 16 por cada 100 mil, o que denota a progressividade da violência racial.
“O que acontece é um verdadeiro genocídio de negros, no Brasil, algo que, junto com outras barbaridades como a política ambiental ou indígena, põem o Brasil em uma posição ainda mais vulnerável” afirmou.
Ainda de acordo com o Atlas da Violência, houve uma piora na taxa de homicídios. Em números absolutos, o país registrou 49.524 assassinatos de negros em 2017, um aumento de 62,3% em relação a 2007 e de 9,1% ante 2016; e quando são analisados os não negros, os números absolutos tiveram queda de 0,8% em relação a 2016, fechando 2017 em 14.734 mortes.
“Precisamos tomar providências urgente. Reconhecer estas mortes não basta. É preciso colocar em prática ações mais concretas. O extermínio de jovens negros brasileiros não pode continuar. Precisamos garantir a segurança e o bem estar daqueles que são o futuro do nosso país” finalizou.

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