bacelarO deputado estadual João Carlos Bacelar (PTN), lembrou hoje os dois meses da morte Juraci Santana por supostos índios que invadiram o Assentamento Ipiranga, na localidade de Maroim, em Una, no sul da Bahia, sem que a polícia tenha concluído o inquérito apesar de haver testemunhas do crime. O trabalhador rural e ex-sem terra Juraci Santana, era líder do assentamento Maroim situado numa fazenda que havia sido desapropriada pelo Incra e indenizada pelo governo federal há mais de dez anos.

“A polícia precisa dar uma satisfação para essa morte que já era anunciada e que aconteceu quatro dias após a retirada da base fixa da Força Nacional de Segurança da área conflitada, por determinação do Ministério da Justiça”, cobrou Bacelar. A mulher de Juraci, que estava com ele no assentamento, ficou escondida no mato e depois foi levada à proteção da Polícia Federal.

A morte ocorreu após a Força Nacional de Segurança ter desmontado uma base de pacificação na região. Como líder dos assentados, Juraci havia relatado à Polícia Federal e ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que vinha sofrendo ameaças de supostos líderes indígenas que queriam que os assentados anunciassem que seriam descendentes de índios e integrassem o assentamento à reserva. “O assentado não aceitou a imposição dos supostos índios porque habitava área desapropriada pelo governo federal para assentamento de sem-terra e, por isso, passou a ser ameaçado. Ele já havia identificado quem o ameaçava e é imporvável que a polícia ainda não tenha conseguido identifica-los”, avaliou Bacelar. Assentamento Ipiranga tem 40 famílias de sem-terra e apenas cinco delas aceitaram a proposta dos supostos caciques.

“Desde a retiradas das tropas federais, a tensão e revolta é grande em Buerarema e região. Juraci Santana era um homem querido por todos na cidade e importante liderança dos sem-terra, que também estão revoltados porque os supostos índios estão invadindo os assentamentos rurais sem que haja providências do governo federal para acalmar os ânimos, fazer voltar a tranquilidade e dar segurança às pessoas”, ponderou Bacelar.

A retirada da base ocorreu após ordem do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A base foi a segunda montada pela Polícia Federal e pela Força Nacional de Segurança (FNS) na região de 47,3 mil hectares disputada por agricultores e supostos índios. A instalação permitiu que quatro propriedades fossem reintegradas pela PF e FNS. Depois da desmontagem da base de pacificação, todas as quatro fazendas foram novamente ocupadas pelos supostos indígenas. A região disputada por agricultores e indígenas possui cerca de 800 propriedades, das quais aproximadamente 100 foram invadidas nos últimos anos nas cidades de Buerarema, Una, Ilhéus, São José da Vitória e Itaju do Colônia.

O recuo do Governo Federal na estratégia de reintegração de fazendas se deu depois de críticas do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e do procurador da República Rodrigo Janot, que disseram que o governo havia optado por “militarizar” a região em conflito e feito a reintegração de posse por meio de liminares.

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