O deputado estadual João Carlos Bacelar (PTN), responsabilizou hoje os governos petistas estadual e federal pelo clima de instabilidade e revolta na região de Buerarema, após o assassinato do líder rural Juraci dos Santos Santana, ocorrido na madrugada de terça-feira, após supostos índios invadirem o Assentamento Ipiranga, na localidade de Maroim, em Una, no sul da Bahia.

“Venho alertando ao governo Jaques Wagner e o da presidente Dilma sobre o clima de instabilidade na região de Buerarema, desde que começaram as movimentações de retirada das tropas da Força Nacional de Segurança no final de semana. O governador não tomou providências. O governo federal muito menos. O governador só se mexeu ontem, depois que um trabalhador rural foi assassinado. A população está revoltada porque vive sob ameaça desses supostos índios e o governo tinha conhecimento disso. A Força de Segurança deve voltar a região imediatamente. O governador não vive alardeando sua boa relação com o governo federal? Que use sua influência para trazer a paz de volta a Buerarema”, cobrou Bacelar.

Revoltada com a falta de ação do governo da Bahia, a população das áreas sob coação dos supostos índios – Ilhéus, Una, Buerarema, São José da Vitória e Itajú do Colônia – interditou a BR-101, e fez diversos atos em sinal de protesto durante o dia e noite de ontem nas cidades conflitadas, especialmente em Buerarema.

“Agora, o que mais revolta o povo é que o governo da Bahia não manteve a Polícia Militar na cidade a fim de evitar as mortes e permitiu a saída da Força Nacional de Segurança da área conflitada, sabendo que as mortes podiam acontecer. Mas ontem, quando a população estava revoltada com a morte de Juraci, soube mandar reforços da PM para conter o povo. Onde estava o governador no momento da morte de Juraci? Onde estava o aparato de segurança do governador quando o Assentamento Ipiranga foi invadido? O que fez o governador para evitar que a base fixa na região foi removida? Só depois da tragédia é que o governador resolve mandar ao Ministério da Justiça um pedido para a permanência da Força Nacional de Segurança em Buerarema, apesar de ter sido alertado da situação. Essa morte poderia ter sido evitada se o governador tivesse ouvido nossos apelos. O Ministério da Justiça, por sua vez, não recebe informes diários da situação de áreas conflitadas? Que serviço de informação ineficiente é esse?”, bradou Bacelar.

A falta de ação também do governo federal, em especial do Ministério da Justiça, vem acentuando a crise entre supostos índios e não índios. “Como esses invasores se intitulam índios, só a Polícia Federal ou a Força Nacional de Segurança podem atuar na região conflituosa e garantir a paz, restringindo a ação do Estado. O governo federal, ao se omitir numa solução definitiva para a região, está estimulando o surgimento de novos grupos que se autodenominam de origem indígena a fim de disputar terras altamente produtivas e de elevado valor comercial, incentivados, ainda, por grupos que dizem “auxiliar” na conquista desses “direitos”.

“Sem definir as reservas ou garantir o direito à propriedade, o governo estimula as invasões e gera a instabilidade nessas áreas. Promove a disputa entre as etnias devido a essa insegurança jurídica. E sai perdendo o proprietário rural. Agora querem até que os assentados, que já vem de outras lutas pela conquista da terra, ingressem no conflito e se proclamem “índios” a fim de os supostos índios aumentarem as terras da reserva. Esta não é uma luta dos índios, mas a falta de definições claras das políticas públicas do governo em favor das minorias. Hoje, basta dizer-se índio para ter direito a terra e expulsar quem trabalha na área por anos? Precisamos de parâmetros claros e tomada de providências urgentes para solucionar esse impasse”, afirmou Bacelar

Enquanto o governo não se define, segundo Bacelar, a situação continua tensa na região Sul da Bahia e a população está revoltada. “Tenho recebido informes diários de que a área conflitada está sob forte tensão e existe a possibilidade de novas manifestações. Juraci Santana era um homem querido por todos na cidade e importante liderança dos sem-terra, que também estão revoltados porque os supostos índios estão invadindo também os assentamentos rurais. A Força Nacional de Segurança precisa voltar à região com urgência e o governador Jaques Wagner precisa assegurar a paz na região. É seu dever como governador da Bahia”, convocou Bacelar.

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