O psiquiatra e especialista em Transtorno do Jogo, Hermano Tavares, afirmou que é importante debater a legalização dos jogos e a criação do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil. Para ele, a proibição dificulta a regulamentação, aumenta a ilegalidade e pode equilibrar o orçamento público. As declarações foram feitas durante a reunião técnica com o coordenador do Grupo de Trabalho dos Jogos, deputado Bacelar (Podemos/BA), realizada nesta quinta-feira (28).  

Humberto Tavares é fundador do Programa Ambulatorial do Jogo Patológico e o do Programa Ambulatorial Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) da Universidade de São Paulo. O médico alertou para aumento considerável no número de dependentes e defendeu que o SUS amplie a rede de apoio para viciados em jogos.  

Segundo ele, o país tem apenas três Centros de tratamento para Transtorno do Jogo e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) não estão preparados para atender a demanda. “Uma das soluções seria transformar estas unidades em Caps ADJ com a adição de Álcool, Drogas e Jogos. Se você for um jogador compulsivo no Brasil você está em dificuldades. Se você for jogador compulsivo em Belo Horizonte, por exemplo, eu não saberia pra onde te encaminhar”, alertou. 

O especialista registrou que as pesquisas apontam que 80% da população norte-americana já fez algum tipo de aposta. Aqui no Brasil, 12% são praticantes regulares de jogos de azar e, em geral, 2% da população desenvolve problemas com jogo. Deste total, apenas 1% preencheu os critérios para Transtorno do Jogo ao longo da vida e 0,5% dos indivíduos precisam de tratamento.  

O coordenador do GT, deputado Bacelar, ressaltou que o Sistema Único de Saúde não consegue ampliar o atendimento por falta de dados concretos. Segundo ele, além da geração de emprego, renda, arrecadação e atração de turismo, a legalização dos jogos vai permitir que o Estado ofereça tratamento gratuito aos pacientes de transtorno dos jogos. “Quando você traz o jogo pra legalidade, você passa a ter dados, e informações precisas. É importante conhecer a quantidade de jogadores patológicos para estabelecer as políticas públicas e ações educativas para minimizar o jogo”, considerou.  

Bacelar, ponderou que as apostas fazem parte da realidade brasileira e que apenas países islâmicos proíbem a prática. Ele apontou jogos de videogame e celular como um dos vícios do século XXI. “A não regulamentação é um retrocesso, por todos os motivos que já conhecemos. Se for para falar em vício, basta pegar o celular e olhar os famosos joguinhos com candy crush, paciência ou, até mesmo, aqueles de videogame que despertam sentimentos violentos em nossos adolescentes” finalizou.  

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