Por Bacelar, para o Mais Região

Somos um país com níveis ainda intoleráveis de machismo, homofobia e preconceitos diversos e não dá mais para aceitar a ideia de que a escola deva ser apenas um local de aprendizagem de disciplinas tradicionais do currículo. A escola é, e sempre foi, espaço de socialização e de aprendizagem para o convívio com a diversidade. Temos crianças e adolescentes de diferentes famílias, com diferentes valores. Precisamos aprender a conviver e respeitar essas diferenças. Precisamos dialogar sobre isso em todas as oportunidades e reuniões, nas famílias, na comunidade e, principalmente, em sala de aula. É certo que a família tem um papel fundamental ao tratar do assunto, mas a escola tem que servir como mediadora para ensinar a respeitar o direito de todos.

Quando abordamos a questão de gênero numa perspectiva pluralista, ela mostra ao aluno que tudo o que existe na nossa sociedade são construções culturais, e que elas mudam ao longo do tempo. Dar essa perspectiva histórica ao aluno faz com que eles reflitam e aí, sim, se tem um ganho progressivo de liberdade, de autonomia, que são características importantes. Se continuarmos fechando os olhos para esta situação, sem discutir gênero, os homens vão continuar recebendo mais e ocupando cargos de destaque enquanto as mulheres vão continuar ganhando menos e sem reconhecimento.

Educar na adolescência é tarde demais. Ensinar o respeito à diversidade tem que começar cedo. Aos quatro, cinco, seis anos. Digo isso porque 50 mil casos de estupro são registrados no Brasil todos os anos e as mulheres são as principais vítimas de violência sexual, física e psicológica. Os atendimentos no SUS somam, por ano, 147.691 registros – 405 por dia, ou um a cada quatro minutos. Do ponto de vista da homofobia, a exclusão de referência à orientação sexual do Plano Nacional de Educação continua dando combustível para que homossexuais sejam desrespeitados, sofram agressões físicas, psicológicas, sejam assassinados e assim por diante.

Falar de gêneros nas escolas é exercitar a cidadania para o reconhecimento da igualdade entre os seres humanos. Assim, a escola que trabalha melhor as diferenças e combate ativamente os preconceitos geradores de humilhação contribui para a formação de indivíduos melhores e mais felizes, o que, em última instância, levaria a uma sociedade mais justa e menos violenta.

Vamos lutar por novas gerações que não compactuem com a diferença de forma negativa entre homens e mulheres, homossexuais, rico, pobre, negro ou branco. As crianças de hoje serão os adultos de amanhã. São elas a esperança de um futuro melhor, mais justo e equilibrado em todos os sentidos. São as sementes plantadas para colhermos na fase adulta.

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