por João Carlos Bacelar

Não dá para esconder o quanto era diferente em termos qualitativos e no quesito empolgação do aluno. Os jovens da minha geração mantinham aceso, durante todo o período que permaneciam na escola, o estímulo necessário para ler e, a partir disso, descobrir novas palavras, identificar sinônimos melhorando o vocabulário, a ortografia, enfim, conquistando novos horizontes. Em casa, quase sempre, a dose oferecida era a mesma, os pais trabalhadores gostavam de ler e incentivavam a prole. E o resultado era prazeroso. As mães se orgulhavam da redação e da curiosidade produtiva dos filhos.

O sistema educacional que vivenciamos hoje é sofrível. Precisamos sim de uma reestruturação curricular que inclua na educação básica um ensino voltado para o exercício da cidadania, o que é assegurado pela constituição brasileira, do mesmo jeito que tem o dever de preparar o cidadão para o trabalho.

Após pipocarem as manifestações estudantis e de várias categorias profissionais com reivindicações alcançando amplitude máxima, nos vem uma pergunta: onde esteve a escola? A resposta certa é : se perdeu no meio do caminho.

E onde a escola perdeu espaço? Nas redes sociais. Essa parece a alternativa correta para o questionamento.

No entanto, a escola sozinha não pode atuar para direcionar melhor esse turbilhão de novidades geradas a partir do universo digital que muitos jovens encontram à mão e compartilham aos montes.  Os pais quase não vão à escola, leem pouco em casa, deixam de contaminar positivamente os filhos; nas salas os professores sem formação eficiente, 47% deles admitem que não gostam de ler, segundo pesquisa da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

As diferenças abissais entre gerações continuam em novos capítulos. Agora todos os professores se questionam e buscam respostas que ainda não existem. Como aproximar mais os jovens da realidade contemporânea e intervir de maneira eficaz na sua formação? Se o ensino de história atual e de temas políticos ficaram de fora dos currículos como resgatar o tempo perdido e contribuir para uma instrução mais adequada ?

São os professores que cuidam do aluno, como diz o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Bandão. Dentro das condições que lhes são proporcionadas eles procuram se reinventar e fazer o melhor. Podem sim, contribuir para mudar o panorama. Eles são responsáveis pela formação de uma criança, de uma cabeça, do futuro.

Como nos ensinou a garota paquistanesa Malala Yousafzai na reunião da ONU essa semana e que emocionou o planeta: “uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”. Em sua doce maturidade ela deu pistas do que pode ser feito. Malala sofreu um grave atentado à bala após se rebelar em seu país onde é proibida a educação de meninas. Um direito essencial de todos e todas, de diversas crenças e classes sociais. É nessa direção que precisamos caminhar. Empenhados em fazer a diferença na formação de todos nossos jovens.

Fonte:politicalivre.com.br
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