As falhas no sistema educacional brasileiro são históricas, ultrapassam os séculos. É do conhecimento de muitos que os investimentos na educação, fazem parte do rol de ‘interesses sociais’ mas nunca de prioridades às quais os brasileiros passem a exigir dos governantes e esses, por sua vez, concentrem seu foco e seu orçamento. E o resultado? Baixos e irrisórios índices de qualidade de ensino que se repetem a cada ano. Estudiosos do assunto garantem que educação não dá voto. Será por isso que os políticos, na prática, não investem na educação?

Essa semana o Conselho Municipal de Educação convidou os prefeituráveis de Salvador para um encontro onde poderiam descrever suas propostas para a área. Mas, apenas 4 dos 6 candidatos compareceram ao evento considerado pelos educadores como de grande importância para o futuro de nossa cidade.

Temos consciência de que para milhões de brasileiros – incluindo os políticos – definitivamente não está na educação o meio prático e imediatista de resolver os problemas. Um grande equívoco pois quem é preparado tem mais chances no mercado de trabalho e apresenta maior resistência às tentativas de manipulações ideológicas, podendo discernir melhor seu próprio futuro e o do país.

Uma pesquisa inédita de uma dupla de economistas brasileiros da Universidade de Harvard (EUA) indica que em cidades onde se investiu mais em educação os prefeitos tiveram menos chances de se reeleger ou de fazer o sucessor. Outra conclusão significativa: 65% dos municípios pobres onde as transferências de renda cresceram mais do que os gastos em educação reelegeram seus prefeitos.

Educação é investimento ingrato para os políticos? Para os pesquisadores de Harvard a resposta é positiva. Segundo eles, entre 2004 e 2008, dos 25 prefeitos que mais investiram no setor apenas quatro conseguiram se reeleger ou fazer sucessor. Então, está explicada a falta de vontade política para melhorar a educação brasileira? Esperamos que não.

Em tempos de eleição, penso que precisamos nos libertar desse paradigma e realizar ações não apenas que se traduzam em contrapartida eleitoreira. É necessário que surja uma ala de gestores educacionais, comandantes de cidades, estados e país vestidos com responsabilidade política de conceder educação pública de qualidade, pelo bem do desenvolvimento de nosso Brasil e pela construção de uma sociedade mais forte e onde a distribuição de renda e de conhecimentos seja menos desigual e mais justa.

Fonte: João Carlos Bacelar/Coluna Educação/Política Livre

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