por João Carlos Bacelar

Onde está o segredo da boa educação? A chave, sem dúvida, é o professor. O preparo, a vocação e o interesse em lecionar fazem o diferencial na vida escolar do aluno. Pensar de forma diferente as estratégias até então adotadas para incentivar o corpo docente é o que precisamos fazer de forma urgente. Durante muito tempo, o Estado brasileiro fez uma opção míope pela quantidade em detrimento da qualidade. Assim, por aí, valem as estatísticas de redução do analfabetismo, ainda que se formem analfabetos funcionais.

Na busca pela quantidade não é possível formar adequadamente os profissionais mediante uma capacidade que transcenda o conhecimento técnico. Assim como uma residência médica, o professor necessita de respaldo empírico em sua formação.

Alunos de professores ruins aprendem mal, sabem menos e reproduzem o círculo vicioso que já conhecemos. Não queremos mais isso. Os professores atuais investem e – na rede municipal de ensino de Salvador são apoiados – estudam a criação de formas de trabalho pedagógico capazes de alterar a relação dos alunos com o conhecimento.

Um exemplo é a diversidade discutida nas escolas, de conceito amplo e que exige habilidade do docente para discernir a importância do tema. Incluir a diversidade, porém, não garante que não se voltará a gerar exclusão. Precisamos aprender e aceitar que a diversidade na sala de aula é a regra e não a exceção.

Como podemos trabalhar essa inclusão? Uma das formas é incluir as crianças em novas culturas escritas e também incluir nas escolas as culturas escritas de que elas já são portadoras antes de entrar. Não é só transmitir as novidades a serem aprendidas como também se ensina a situar sua própria cultura como parte da de todos. O importante é ensinar de forma objetiva como uma entre todas as outras e em pé de igualdade.

Crianças e jovens deveriam ter a possibilidade de conhecer várias tradições literárias, e não apenas a sua ou as antecessoras das próprias tradições. Através da percepção do que nos é diferente, entendemos o que é nosso, o que temos em comum e o que nos diferencia.

Participar da cultura escrita, como cita a educadora argentina Mirta Castedo, pressupõe ingressar nela ou ter acesso a ela e, como resultado dessa participação, transformá-la. Cultura escrita ‘não é ’, está sendo, está se construindo.

Trabalhamos e almejamos para que todos tenham direito de participar. Ingressar na cultura escrita e transformá-la é um direito. Tornar isso possível para todos, independentemente da sua cultura de origem, deve ser de pronto a missão da escola hoje. O que reforça nosso pensamento. Por fim, não podemos deixar de lembrar o padre e educador Antônio Vieira: “A boa educação é moeda de ouro: em toda parte tem valor”.

Fonte: Politicalivre.com.br

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