Histórias brasileiras tem sempre raízes profundas, às vezes fincadas n’África, como essa. Em 1910, a Yalorixá Mãe Aninha, ou Eugênia Anna dos Santos, fundou o Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em português Casa de Força. Mãe Aninha foi uma das responsáveis pela liberação do exercício do candomblé no Brasil após uma audiência com o presidente Vargas na década de 30. Desde 1978, uma escola funciona na área do terreiro de São Gonçalo do Retiro. Batizada com o nome da fundadora que sonhava em ver seus filhos e netos experimentados na fé mas com anel de doutor no dedo, a escola virou realidade na gestão de Mãe Stella, orientadora do Ilê Axé e que está completando 73 anos de sacerdócio.

Maria Stella de Azevedo Santos é uma educadora. Enfermeira formada pela Universidade Federal da Bahia nunca deixou de orientar quem a procura. A Escola Eugênia Anna pertence à rede municipal de Salvador e tem como características mais marcantes a valorização da cultura negra em benefício da autoestima de seus mais de 300 alunos do Grupo 5 ao 5º ano do Ensino Fundamental. Antes mesmo da exigência do cumprimento da Lei 10639/03 já era esse o foco da escola: a valorização do negro que, segundo Mãe Stela precisa ser considerado agente ativo da história. E para fazê-la cada vez melhor? Nada melhor do que estudar, a começar pelo descobrimento dos mitos africanos e de sua influência na aceitação de nossa identidade, de nossa percepção mais ampla acerca das dificuldades, preconceitos e urgência na superação.

Aos sábados, na Casa de Xangô, Mãe Stela, reúne seus filhos e filhas de santo para orientar, tirar dúvidas do ioruba- dialeto africano- e passar os ensinamentos e obrigações, sempre com amor e carinho de pastora cuidadosa com seu rebanho. Muitos eventos realizados na escola contam com a presença de Mãe Stella que gosta dos laços com a criançada oriunda de várias religiões e de toda área adjacente ao terreiro. Os alunos entendem por lá como é viver sem preconceitos, respeitando as origens de cada um. Essa é a principal proposta pedagógica da Eugênia Anna, que trabalha com a intenção de educar pela cultura.

Mãe Stella, nossos agradecimentos pela sua influência ímpar na motivação de nossos jovens pela educação. Uma Yalorixá respeitada no Brasil e exterior, homenageada com justos méritos através de diversos prêmios e condecorações. Uma baluarte de sua fé. Mãe Stella está elaborando o sexto livro já intitulado de Odu (Caminho). Por tudo isso, Axé, Alafia, Ayó. Força, Paz e Alegria. Salve Mãe Stella!

Fonte: João Carlos Bacelar/Coluna Educação/Política Livre

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