por João Carlos Bacelar

Categoria que contribui significativamente para o desenvolvimento de uma Nação, os professores receberam com indignação a notícia de que 23 governadores se mobilizaram para estabelecer uma nova base de cálculo para reajuste da classe em 2014, o que significaria, na prática, um índice pelo menos 59% inferior ao estimado pelo Ministério da Educação. Segundo o documento entregue pelos governantes ao MEC essa semana, a dificuldade financeira enfrentada pelos cofres estaduais, provocou essa atitude conjunta.

De acordo com a proposta dos estados o índice de reajuste no Piso Nacional dos professores ficaria em 7,7%, bem abaixo dos 19% estimados pelo MEC para o ano que vem. A reação foi imediata. Segundo alegam órgãos representativos da categoria, a Lei do Piso nacional para os profissionais do magistério público da educação básica não trata apenas do salário mas também da jornada e da carreira, pontos que os governadores – apoiados por alguns prefeitos – não abordam no projeto mas que têm grande peso na valorização profissional da categoria.

Entidades de classe consideram pelegas as direções sindicais que apoiam essa mobilização dos governantes classificada como golpe orquestrado com o objetivo de rebaixar o índice salarial.

Com isso, a repercussão do tema reverbera país afora. Muitos professores garantem que é preciso resistir e evitar que a presidente Dilma acate a manifestação dos governos para driblar um reajuste legal.

Em Brasília, onde foi recebido o documento dos governantes, foram investidos mais de R$ 1,284 bilhões na construção do estádio para a Copa 2014. O dobro do valor inicialmente previsto para a obra em uma cidade sem tradição de sediar jogos de futebol. Nada absolutamente contra o esporte, muito pelo contrário. As cidades-sede da Copa continuam se preparando para atrair turistas, fazer bonito e movimentar a economia. Mas uma Nação para se organizar para o desenvolvimento precisa, antes de mais nada, se debruçar sobre a Educação, a estrutura de tudo. Cuidar dos professores é cuidar de gente, cuidar do futuro.

Quem cuida de dinheiro, como os bancários (em greve nacional por aumento salarial há mais de uma semana), precisam ganhar bem pois sem recursos financeiros não se movimenta um país. E dizer o quê sobre quem cuida da cabeça, da formação dos futuros profissionais? Eles precisam se perceber necessários e indispensáveis à engrenagem ascendente de uma nação. Para isso, não há como prescindir do merecido reconhecimento financeiro aguardado ansiosamente por uma categoria integrada por centenas de milhares de pessoas.

Na Bahia já ficou comprovado como os professores são tratados. Por causa da falta de diálogo e comprometimento com a Educação do lado do governo estadual, a última greve da categoria durou 115 dias prejudicando os estudantes que têm 200 dias letivos por ano.

Em Salvador, foram garantidos aos professores da rede pública municipal reajustes médios de 74% nos dois últimos anos, sem computar os 7,97% conquistados em 2013. Essa é segunda capital brasileira que melhor remunera seus docentes.

Acredito que, na rotina dos responsáveis em gerir a Educação, deve constar em primeiro plano o empenho, sem reservas, para pagar à categoria salários justos. Estaremos unidos e atentos para evitar que a maquinação se consolide. Vamos reiteradamente contestar a sabotagem do legítimo direito de quem conjuga – com dedicação máxima – o verbo educar.

Fonte: Politicalivre.com.br

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