Durante o primeiro dia do seminário “Turismo na Ordem do Dia – Perspectivas e Tendências para o Turismo no Brasil”, realizado nesta quarta-feira (29/9), pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, o presidente da CTur, deputado Bacelar (Podemos-BA) apresentou um balanço da área e destacou a importância de várias propostas que tramitam no Congresso Nacional e que poderão beneficiar a atividade. Entre elas, o projeto de lei que reestrutura e atualiza o papel de financiador e de avalizador dos investimentos produtivos no setor, o Fundo Geral do Turismo (Fungetur). O PL foi elaborado pelos membros da comissão e tramita em regime de urgência, ou seja, será votado direto pelo plenário da Casa.  

Bacelar também ressaltou o projeto de Lei 4219/20, batizado de Lei Moraes Moreira, de sua autoria, que cria um auxílio emergencial para os trabalhadores do Carnaval e São João, afetados diretamente pela pandemia. Pelo texto, serão destinados R$ 3 bilhões de reais. Outra proposição que, se aprovada, terá impacto imediato na dinamização do setor de turismo é o PL a 442/91, que cria o marco regulatório dos jogos no Brasil.

Em seu discurso de abertura, o presidente da CTur salientou a importância das discussões. “Esperamos sair daqui com uma visão plural, capaz de subsidiar políticas públicas que possam balizar a recuperação do setor. Estamos de portas abertas para receber sugestões da sociedade para que o turismo ocupe lugar de destaque na retomada”, indicou, destacando o histórico do trabalho da Câmara dos Deputados para incentivar o Turismo do Brasil.

O Turismo como vetor da recuperação econômica

O painel “O turismo como vetor da recuperação econômica” teve a moderação do deputado Marx Beltrão (MDB/AL). Participaram o gerente de Gabinete da Diretoria de Marketing, Inteligência e Comunicação da Embratur, André Reis, representando o presidente da Embratur, Carlos Brito, Ângelo Sanches, presidente da Associação Nacional de Secretários e Dirigentes Municipais de Turismo (Anseditur) e de Bruno Wendling, presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur) e José Patriota, 1º secretário da Confederação Nacional dos Municípios (CMM). Os últimos dois participantes fizeram suas ponderações via videoconferência.

Segundo André Reis, a Embratur esperava que, em 2020, o Brasil ultrapassasse o recorde de sete milhões de turistas estrangeiros no Brasil, mas por causa da pandemia os números não se concretizaram. A intenção, segundo ele, é recuperar, pelo menos, 40% dos visitantes internacionais até o fim deste ano. “Se conseguirmos, será uma grande vitória”, indicou, fazendo menção aos números positivos que já são percebidos com relação ao turismo doméstico, com 75% dos voos recuperados e rede hoteleira com boas taxas de ocupação.

 “O Brasil está muito bem posicionado para ser o principal player de Turismo de Natureza. Temos recursos naturais incomparáveis e muita coisa para mostrar para o mundo. A Embratur vai recolocar o Brasil em posição estratégica neste cenário de pós-pandemia”, completou.

Ao completar as considerações de Bruno Wedling, do Fornatur, que indicou a importância da profissionalização dos órgãos públicos de turismo nas esferas federal, estadual e municipal, o presidente da Anseditur, Angelo Sanches disse que a realização do Seminário é prova de que “estamos no caminho certo”. “Temos que chamar as instituições para que possam nos mostrar as oportunidades que tem a oferecer. Quando fizermos isso vamos discutir quantos bilhões vamos ganhar”, disse. “Temos que colaborar mais, temos que nos agregar e achar soluções. Nosso partido é o Brasil e trabalhamos na indústria da felicidade”, concluiu Sanches.

José Patriota, 1º secretário da CNM, usou a palavra para ressaltar a importância das ações da entidade para o fomento do turismo e pontuou que, no Nordeste, os municípios turísticos, têm receita 30% maior do que aqueles que não recebem visitantes. “No Sul, a diferença é de 12% nesta comparação”.

Marx Beltrão, lembrou que em seu estado, Alagoas, o turismo é o segundo maior gerador de empregos e que “já passou da hora de o Brasil deixar de ser o país do potencial para ser o país da realidade”. “Precisamos ter governo federal, estaduais e municipais investindo e trabalhando juntos”.

Eventos 

Fátima Facouri, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc Brasil) conversou com o deputado Eduardo Bismarck (PDT/CE) e falou da importância dos eventos para o crescimento da economia local. Segundo Fátima, é preciso contar com a promoção dos eventos por parte do poder público para que as grandes empresas entendam a importância das feiras e congressos. E que há grande expectativa de retomar os patamares de 2019 a partir de 2022.

Nordeste é a grande aposta das Agências de Viagem 

Ao abordar a retomada do turismo, Magda Nassar, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), disse que a expectativa é que em 2022 o turismo volte à fatia de 8,5% do PIB atingida em 2019, com possibilidade de avançar mais e recuperar os prejuízos do último ano e meio. Ela disse ainda que alem da reabertura, a vontade de viajar é um dos maiores desejos de boa parte dos consumidores, segundo indicam pesquisas.

“Na pandemia foi avassalador. Chegamos a ter quedas de 90%, para não dizer que fechamos as portas.” Ao fim de 2020 houve pequena recuperação principalmente em produtos para o Nordeste, grande preferência de viagem dos brasileiros já há alguns anos.

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