Bacelar

O garoto que andava de lá pra cá pelas ladeiras de Salvador, que convivia nas festas e no carnaval com Malê Debalê, que torcia de forma fervorosa pela Bahia na Fonte Nova, que admirava a praia dos artistas, especialmente na Boca do Rio, e desfrutava dos campeonatos do Campeonato do Areal – Nordeste de Amaralina, talvez não tivesse a ambição de um dia governar a cidade. No entanto, a trajetória política do deputado Federal Bacelar (Podemos-BA) como vereador do município, deputado estadual e deputado Federal, com votações expressivas, o credenciaram para concorrer à Prefeitura.

Conhecido por defender a Educação, desde a época como secretário municipal de Educação, até hoje, como presidente da Comissão Especial que debate o Fundeb (principal instrumento de financiamento da educação básica), Bacelar apontou ainda que seu governo também priorizará a segurança pública. “Precisamos acabar com essa história de toque de recolher. Vamos dar segurança nos bairros”.

A palavra bairros, inclusive, está no slogan da pré-candidatura com o: “A força vem dos bairros”, que pode se entender com a inclusão da população nas tomadas de decisões do futuro governante. “Nunca o povo participou da administração. Mas comigo vai”.

Nesta entrevista exclusiva ao Farol da Bahia, Bacelar aponta caminhos para tornar Salvador economicamente mais forte. Explica como vai fazer para diminuir a sensação de insegurança com a qual os soteropolitanos convivem e dá o recado direto das razões pelas quais deveria ser eleito.

O que te levou a querer ser prefeito de Salvador?

A minha identidade com a cidade do Salvador. Desde criança conheço e percorro essa cidade. Seja na minha antiga escola, o Colégio Estadual Severino Vieira, seja percorrendo as diversas ladeiras, com tanto mistério e que povoam toda malha urbana da nossa cidade, seja porque convivi nas festas e no carnaval com Malê Debalê, seja por minha identidade com Ilê Axé Opó Afonjá, junto à Mãe Stella, seja as minha atividades no Ilê Asipá, junto a Mestre Didi, a Fonte Nova, desde cedo acompanhando o meu Bahia. Não posso esquecer da praia dos artistas, no início da década de 80 lá na Boca do Rio, os babas e os campeonatos do Nordeste de Amaralina, todo esse caldo cultural fez com que me apaixonasse cada vez mais pela cidade.

Apesar dessas belas memórias, hoje preciso dizer que o povo de Salvador vive um verdadeiro apartheid. Nos bairros, não há acesso à educação, à saúde, a emprego, à renda. Na segurança pública, vivemos sob um toque de recolher. Precisamos acabar com essa ilha da fantasia ideológica de que Salvador é a terra da alegria, do espetáculo e da festa. Não é possível observar cenas como essas que fazia com que Salvador parecesse ser de parece de papel. Foi um duro golpe ver a população observar seu patrimônio ser destruído pela a enxurrada levar. Uma cidade que gasta milhões e milhões na festa e não investe nada na Defesa Civil? Salvador tem um projeto de desenvolvimento urbano burro. E a atual administração leva isso ao extremo, pois impermeabilizou a cidade. É cimento por todo lado. E nos bairros populares é a borra de asfalto que os vereadores ligados à administração municipal jogam sem drenagem e sem saneamento. A mudança disso é que fortalece a minha ideia de ser prefeito da cidade de Salvador.

Que bandeiras defenderá caso se torne prefeito?

Nunca o povo participou da administração de Salvador, mas comigo vai. Desde construção do projeto até o dia a dia da administração por meio de conselhos comunitários. Então, esse projeto vai ser construído durante a caminhada. Um dos projetos é o orçamento participativo. É a população que vai decidir onde o recurso será aplicado.

Educação sem foi sua bandeira. Quais são seus planos para este setor?

Vamos transformar Salvador na capital brasileira da educação e da cultura. Nós vamos conseguir que a escola do filho trabalhador seja igual à do filho do rico. Esse é meu compromisso. Aumentar o número de vagas na educação integral. Salvador tem um dos mais baixo índices de escolas em tempo integral. Alfabetizar nossas crianças. E fazer uma ponte entre educação, cultura e segurança. Não vamos admitir em Salvador crianças fora das escolas. Para isso, teremos conselheiros que irão percorrer as diversa ruas do bairro para saber o porquê que aquelas crianças estão fora da escola. Se for o caso, ir naquela escola saber as razões para não haver aulas.

Na área de economia, como pretende fomentar a geração de empregos e aquecer o setor?

Faremos uma economia comunitária. O pequeno comerciante, o ambulante, o prestador de serviços não têm nenhum apoio. Nós vamos criar micro crédito para fortalecer na economia comunitária. Construir cooperativas de crédito do bairro para financiar a dona da barraca de acarajé, o dono do bar, o mestre de capoeira que queira abrir uma academia. E ter um uma forte alavanca econômica que é o turismo. Salvador, a cidade de todo o Brasil, capital de todos os brasileiros. Vamos investir em um turismo étnico. Investir em um grande potencial que o trade turístico de Salvador já possui, mas falta apoio.

A sensação de insegurança é algo que permeia a vida de quem vive em Salvador. Quais planos têm para a segurança pública.

Vamos investir na segurança comunitária. Precisamos acabar com essa história de toque de recolher. Vamos dar segurança nos bairros. Acabar essa história da polícia criminalizar a pobreza. De transformar o jovem negro em um criminoso. Pelo contrário, por meio dos conselhos comunitários de segurança mapearemos o bairro todo. Vai ser um trabalho integrado entre a Prefeitura de Salvador, polícia militar, polícia civil e corpo de bombeiros e guarda municipal .

O senhor tem experiência como legislador, mas há também passagens como gestor. Como as experiências administrativas podem ajudá-lo no papel de prefeito?

Sou mestre em administração pública. Fui subsecretário de administração da Prefeitura de Salvador. Fui presidente do Instituto de Previdência de Salvador. Além do trabalho previdenciário que possibilitou ao o servidor municipal ter uma previdência forte, auto-sustentável, investimos também na terceira idade. Nessa área da terceira idade, do envelhecimento saudável, tivemos uma forte experiência na prefeitura de salvador. E, por fim, como secretário de Educação. Neste tempo, conseguimos implantar o maior projeto de construção e reforma de unidades escolares. Ao lado disso, a valorização do professor. Ele é instrumento mais importante no processo educacional. Por isso demos a eles os maiores salários do Brasil e também a formação adequada para que eles pudessem desenvolver essa tarefa fundamental para a sociedade. que é a educação das nossas crianças e jovens.

Na sua avaliação, por quê você deveria ser o prefeito de Salvador?

Porque eu serei o prefeito de todos. Serei um prefeito que vem dos bairros populares, com a força dos bairros populares, mas que terá uma visão de toda a cidade, inclusive no centro e em áreas ditas nobres. Serei o prefeito de todos, mas com ênfase àqueles menos favorecidos.

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