Foto: Reprodução / Política Livre

Se a cúpula do PT que contorna o governador Rui Costa não chegou a abrir, em comemoração, uma Veuve Clicquot, pelo menos alguns Proseccos consumiu na intenção do prefeito ACM Neto (DEM) e do desenlace entre ele e um dos partidos mais importantes de sua base na Câmara Municipal, o PTN, comandado na Bahia pelo deputado estadual João Carlos Bacelar – eleito recentemente para a Câmara dos Deputados – que desde a última semana passou a integrar o esquema de sustentação do governo na Assembleia Legislativa. Embora não parecesse, a paquera dos petistas em relação ao PTN era antiga.

Mas, dadas as relações pessoais e políticas de Bacelar com o prefeito, a turma do PT nunca imaginou que conquistaria a legenda – exatamente por causa da história de empreendimentos políticos bem-sucedidos entre Neto e o deputado – para o seu campo. Um dos articuladores petistas que atuaram de forma decisiva no processo de aproximação com o PTN conta que, quando partiu para a primeira conversa com o partido, sabedor de que o clima entre a legenda e o prefeito não ia bem por causa da disputa pela presidência da Câmara Municipal, nunca pensou que seu desfecho pudesse ser a consolidação da aliança com o PT.

Conta ele que, ao aprofundar as discussões, percebeu, no entanto, que havia no PTN um sentimento não apenas de descontentamento político com o prefeito, mas de profunda irritação com o seu estilo de fazer política, descrito pelo petista, a partir do que ouviu no próprio partido, como o de alguém que não se dispunha a compartilhar poder com Bacelar e a sigla, mas como o de um político que via na legenda uma espécie de simples agregado sem dimensão suficiente para lhe fazer exigências como a da presidência da Câmara Municipal ou de uma secretaria de peso em seu governo.

O quadro foi relatado diretamente ao governador Rui Costa, que orientou o PT no sentido de aprofundar as relações com Bacelar. Além de ter respeito pela conduta política do deputado, considerado “figura de palavra”, Rui faz parte do time no PT para o qual a eleição de Neto à Prefeitura, em 2012, foi, em grande medida, viabilizada pela atuação de Bacelar na então secretaria de Educação do governo João Henrique, que o ex-aliado de Neto ajudou a manter do lado do DEM e não se deixar levar pelo canto da sereia da candidatura do petista Nelson Pelegrino.

O governador também compartilhava da análise segundo a qual um aliado com tamanho perfil e história de envolvimento com um adversário declarado como o prefeito jamais poderia ser desconsiderado no auge de uma crise que os abateu. Quando agregam alguém tão intimamente ligado ao prefeito e que sempre lhe foi tão leal, por causa de um relacionamento que esgotou-se por uma infinidade de incompatibilidades, os petistas acreditam que enfraquecem Neto porque o PTN tem base em Salvador e votos na Câmara Municipal, mas principalmente porque acreditam que alteram um jogo que o gestor tinha muito bem arrumado em sua base, abrindo espaço para – por que não – novas defecções.

Fonte: Política Livre

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